Dos acordes de uma guitarra imaginária, os pensamentos de um guitarrista sem dedos para a tocar

sexta-feira

Gabriel Garcia Marquéz

Estava a escrever o Rufus que vai sair na segunda-feira quando ouvi uma notícia que me abalou um pouco. Um dos escritores da minha vida tinha morrido pela segunda vez. Pela segunda vez... A primeira vez que chorei a morte dele foi, quando pelo irmão, se soube que tinha demência e que nunca mais iria escrever um livro.

A morte física de um escritor que amamos tão profundamente como as linhas que correm nos seus livros é difícil, mas foi a primeira vez que eu bebi uma cerveja no bairro alto, levantei o copo e pensei no Gabriel Garcia Marquéz. Ontem não o fiz. Ontem deixei-me ficar triste em casa.

É de entender que o meu amor por Gabriel Garcia Marquéz fez-me ler uma esmagadora maioria dos seus livros, muito cedo, tinha uns 14 anos quando comecei a ler os Cem anos de Solidão, e foi o primeiro livro que me marcou, o primeiro livro que me fez querer ler mais livros, e que eventualmente me deu vontade de os escrever também.

É engraçado... passei uns tempos no Brasil, nos últimos dois anos, e não consigo entender aquele país melhor do que consigo entender a ler os livros do Jorge Amado. A América do Sul entendo-a melhor ao ler livros do Gabriel Garcia Marquéz. Entendo melhor o mundo também. A magia e o romantismo. Devia proibir-me de me envolver com uma mulher que nunca tenha lido Gabriel Garcia Marquéz. Já me preocupei se eram contemporâneas do Kurt Cobain. Mas nunca se já leram um livro do Gabriel Garcia Marquéz.

Não pensar neste escritor hoje em dia ao ler qualquer livro, é como não pensar nos Beatles a ouvir qualquer tipo de rock. Mas isso pouco importa, o que importa hoje é que o homem que escreveu o Amor em Tempos de Cólera...  ... Sabem quantos filmes e livros eu já li, em que esta obra estava tão presente que era como a morte me passasse pelos olhos e eu revesse o livro ali mesmo. Ele escreveu este livro tinha eu 7 anos... Há um filme, que é um dos filmes da minha vida, chamado Galinha com Ameixas, eu não sei se o autor do argumento tem noção mas é um filme que trespassa este livro. O último filme do Wes Anderson também, podemos ver pitadas. A mesma história.

É possível que a mesma história seja a história do mundo, que se repete e se ultrapassa, mas aí Marquéz é o mais puro dos escritores, vendo sempre o bem, o mal, e o neutro das histórias. O bom disfarçado de mau, e o puro. O inevitável e o fantástico. Tudo com pitadas de literatura imperdíveis. Sou louco por Garcia Marquéz. E sempre o serei. 

2 comentários:

Pusinko disse...

Voltaste por um motivo triste. Marquéz fará falta, mesmo que já tivesse, de certo modo, ido. Na próxima levanta o copo por ele, que merece esse e outros brindes.

Miguel Bordalo disse...

Deixei-te um email do teu email do blogue. Perdi o teu outro infelizmente. Beijo!