Dos acordes de uma guitarra imaginária, os pensamentos de um guitarrista sem dedos para a tocar

segunda-feira

À novidade

Quando era mais miúdo tinha medo de em 2013 continuar a ouvir Beatles. Não porque eu não gostasse de ouvir Beatles, ainda gosto, é ainda para mais uma das melhores conversas que tenho com o meu pai, que é tão fã de Beatles como eu, ou mais, e adora falar sobre eles e a música deles. Pode não ser a pessoa que mais sabe de Beatles, mas, e pela sua extraordinária capacidade de compreensão aliada à sua genial e mais que magnífica capacidade de relato é, com certeza, a melhor pessoa para se ouvir falar sobre eles.
Portico Quartet "Steepless"

Isto para dizer que gosto de Beatles, mas nos anos 80 e no início dos anos 90 a música produzida de garagem ou não garagem era um autêntico desastre. Como bem se pode ouvir agora. Quer dizer, os puristas dos anos 80 bem que me podem vir punhetar uma merda dos Smith, mas aquilo, bem analisado, é uma autêntica bosta, ainda que divertido numa discoteca ou outra. Os anos 80 foram um desastre, os anos 90 começaram por ser. Mas lá para o meio, 94? Terá sido um ano de viragem, e a melhor viragem foi a mentalidade com que foi feita a música, deixou de haver ruptura, passou-se a ter uma ideia de música mais ligada ao prazer da música, e a absorção das influências, quem gostava dos Smith gostava, quem gostava dos Abba, gostava, sem rupturas, fez-se muita merda, mas nasceram algumas das melhores bandas do planeta. Smashing, Radiohead, Nirvana. Ainda assim poucas. 
Widowspeak "In The Pines"

Hoje em dia vivo feliz, não há uma puta de um dia que passe que eu não descubra uma boa banda para ouvir. Do Jazz, ou rock, do ambiente ao totalmente original. Hoje em dia aprende-se música. Os músicos nunca foram tão bons, já não é só talento, já não é só génio, é trabalho, é escola, é interesse pela arte da música, não como um efeito publicitário, não como um ajuntamento de massas, não como um reflexo de um protesto, não como uma necessidade de fazer furor numa pista de dança.
Ólafur Arnalds "Ao vivo no KEXP"

Não me interpretem mal. Tudo isso acontece. Só que depois acontece tudo o resto...
Bernhoft "Street Lights"

5 comentários:

Pusinko disse...

Es das pessoas que mais amam a música e gostam de a explorar saber mais sempre.
Eu sou diferente. Tenho alturas em que quase nem ouço e outras en que só quero musicas/bandas que sao porto seguro ou, fases de explorar o universo musical desconhecido. Mas nao com essa frequencia tua :-)

Beijo

Miguel Bordalo disse...

Eu sem ouvir música estou sempre um pouco incompleto. Engraçado seres a minha única leitora... Vou ver se mudo isto para "Para Pusinko ler".

Pusinko disse...

Se calhar tens mais leitores pá.
Ou entao nao fazem falta. O importante é gostares do teu blog. ;)

Miguel Bordalo disse...

Não. O blogger agora diz-te exactamente quantas pessoas abriram o blogue. Mas é tranquilo o que importa mesmo é eu estar a escrever aqui, significa que estou a escrever mais noutros lados, e aqui ficam os meus desabafos e os meus registos de músicas que eu gosto e cenas assim.

Pusinko disse...

Isso é o que importa Miguel :)