Dos acordes de uma guitarra imaginária, os pensamentos de um guitarrista sem dedos para a tocar

segunda-feira

Intocáveis não é bem assim



Fui ver o "Intouchables" e não gostei muito. O problema? Provavelmente a expectativa com que ia para ver o filme. Eu não gosto que me digam nada sobre um filme, o máximo que me podem dizer sobre um filme, ou sobre um livro é "Miguel, eu vi o filme e gostava que tu visses também." Porque a não ser que seja um filme mais do que brilhante, dizerem-me "Epá, vi o filme e é lindo, tens mesmo de ver!!! É brilhante!" Como três ou quatro pessoas me disseram do filme, faz com que eu vá com atitude de crítico.

E não há pior do que ver um filme com atitude de crítico...

Não há nada pior do que fazer seja o que for, passar neste vida com atitude de crítico.

E assim lá fui eu. Ver o filme. E no início está escrito - baseado numa história real. O que alguns dos grandes o fazem, o Clint Eastwood tem um ou outro assim. E eu não gosto. Deixa-me sempre de aviso, porque isso é uma maneira de fazer com que as pessoas desculpem certas coisas à narração.

O Miguel contrariado...



Sim falo de mim na terceira pessoa no Emmet.

E a questão é a seguinte. De facto o papelão que o François Cluzet faz naquela cadeira de rodas, é qualquer coisa de extraordinário. Se uma pessoa pensar como é que um actor faz um filme inteiro sem mexer uma palha e ser um tipo tridimensional. Eu já tinha visto e gostado do papel que o Javier Barden tinha feito, mas não querendo comparar, apesar da minha clara atitude de crítico, este papel do François deu-me mais dimensões.

Eu senti todos os momentos em que ele estava triste, ou contente, ou incomodado. Eu entendi o tédio, o medo, a indiferença, o salto desesperado da dor e da impossibilidade de movimento, isto num filme bem mais básico do que o "Mar a dentro". E lá estou eu com as merdas das comparações...

Não tendo nada a ver, um filme com o outro, duas intenções completamente diferentes o que é que eu não gostei tanto neste filme?

As outras personagens.

Tinha personagens a mais, em pouco tempo de filme. A filha aparece e desaparece e não dá nada ao filme, a empregada boazuda, igual, a empregada mais velha ainda vá que não vá, o irmão mais novo, eles conseguiram resolver bem, mas a mãe pouco. Então saiu um pouco vazio. Porque nestas coisas de fazer um filme sobre histórias reais é uma arte difícil de executar.

Espero que se alguém ler isto ao menos lhe sirva para o contrário. Não vão para o filme com grande entusiasmo. Pode ser que tenham uma boa surpresa.

Ps: Gostei de alguma da música, muito até.

1 comentário:

Pusinko disse...

Olá :D

Eu vi o filme totalmente sem saber ao que ia e gostei muito.
Não liguei muito às personagens secundárias. Aliás, centrei-me apenas nas cenas que envolvessem os 2 actores principais. Não tinha egendas e tenho um francês enferrujadinho, talvez daí o encanto de só ter olhos para a linha condutora do filme. E não saber sequer o que ia ver até dar de caras com o poster no cinema.

Valeu imenso por isso. :)